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Depoimento na CPI da Zona Azul revela pagamentos de bonificações em espécie e saques em dinheiro por parte dos proprietários da Dom Parking

segunda-feira, 28 Outubro, 2019 - 18:16

A CPI da Zona Azul  realizou na manhã desta segunda-feira mais uma coleta de depoimentos dentro da investigação sobre o contrato da empresa que operava as vagas rotativas em Florianópolis. A CPI ouviu o depoente Alexandre Fernandes, responsável pela operação logística da empresa, e ele revelou que a empresa Dom Parking realizava pagamentos de bonificações em espécie para monitores que atingiam as metas de cada área sob sua responsabilidade. Era uma forma de cobrar eficiência e ao mesmo tempo aumentar a arrecadação.

“Próprio diretor financeiro e os filhos dos donos da empresa muitas vezes pegavam esse dinheiro em espécie”, afirmou Alexandre. Tanto as bonificações como os salários dos funcionários sempre foram pagos em dia. “O Alexandre foi bem esclarecedor tanto na questão fiscal como na trabalhista. O depoimento dele vai ajudar muito para conseguirmos montar parte desse quebra cabeça”, afirmou o vereador Gabrielzinho (PSB).

Em contrapartida, na outra ponta, a prefeitura de Florianópolis, após romper o contrato com a empresa, cobra na Justiça uma dívida de R$ 19 milhões por valores previstos no contrato de concessão e que deixaram de ser repassados. As contribuições sociais também não era depositadas para cumprimento das obrigações trabalhistas, situação que só foi descoberta com a demissão dos mais de 100 colaboradores da Dom Parking.

“Também ficaram cerca de R$ 2 milhões em créditos dos usuários que a reposição não está garantida no novo edital. Até será tema na sessão essa questão hoje”, afirmou o vereador Vanderlei Farias, o Lela (PDT). O valor exato, de acordo com o depoente, seria de R$ 2,2 milhões, dinheiro que os cidadãos fizeram recargas para utilizar a Zona Azul e teriam dentro do sistema antigo, e que a empresa também não repassou ao município após o rompimento do contrato.

Completam os membros da CPI da Zona Azul os vereadores Guilherme Pereira (MDB), presidente da comissão, Pedro Silvestre (PP) e Dalmo Meneses (PSD), que atuam nos trabalhos que apuram a prática de irregularidades na concessão e operação das vagas rotativas em Florianópolis.

Diretor Financeiro da Dom Parking aparece para esclarecimentos 

 

Levou aproximadamente 4 horas o depoimento do Diretor Financeiro da Dom Parking, Nerto Laudelino Machado, na CPI da Zona Azul. Ele disse que veio espontaneamente contribuir com a Comissão Parlamentar de Inquérito e em grande parte do seu depoimento colocou a culpa pelo impasse na prefeitura. “São mais de R$ 800 milhões em multas que a prefeitura teria a receber pela atuação na empresa no contrato da Zona Azul”, alegou o diretor financeiro da Dom Parking. 

Ao ser questionado se era esse o total de multas efetivas, esclareceu que era apenas o número potencial. A arrecadação só chegaria a esse valor se absolutamente todos os alertas colocados pelos funcionários da empresa se tornassem multas para o cidadão que estacionou o carro na vaga de zona azul e ultrapassou o tempo limite. “Apenas 3% a 4% se converteram em autos de infração.”

Antes dos vereadores iniciaram os questionamentos, leu um relatório de várias páginas sobre sua vida pessoal, financeira e sobre os trabalhos desenvolvidos na empresa. 

Sobre o episódio do último dia 11 de outubro, onde uma empresa de mudanças foi chamada para esvaziar o escritório no centro da capital, argumentou que  o motivo foi por precaução aos equipamentos da empresa, pois havia acontecido um furto dias antes. “A Dom Parking teve sua sede arrombada e mais de 100 celulares furtados. Pelo risco dos demais equipamentos, a empresa decidiu levar seus demais equipamentos para um local mais seguro, no que fomos impedidos de prosseguir por empregados. Era uma ação legítima dos proprietários.”

Os vereadores não descartaram um novo depoimento de Nerto, caso seja necessário para outros esclarecimentos. 

Nesta terça-feira (29/10), os membros da CPI ouvem os  ex-secretários de Mobilidade do Município que participaram da implementação do sistema de vagas rotativas na capital,  Paulo Sérgio Faustino, ex-diretor; Adrian José Mafra, ex-secretário adjunto, Walmir Humberto Piacentini, ex-secretário,  e Vinicius Coferre, ex-secretário da gestão do ex-prefeito César Souza Júnior.