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“Não estamos lidando com empresa. Vocês dão uma olhada se não é caso de colocar a polícia civil ”, alerta ex-secretário

terça-feira, 29 Outubro, 2019 - 14:28

Depois de uma segunda-feira polêmica na CPI da Zona Azul, quando pela primeira vez um representante da empresa Dom Parking compareceu para prestar depoimento, e precisou sair da Câmara sob escolta da Guarda Municipal, a manhã desta terça-feira (29/10) prometia ser mais colaborativa. Estava confirmada a presença de ex-secretários e diretores da gestão passada tinha. Dos três depoimentos, o que mais trouxe elementos para a Comissão Parlamentar de Inquérito foi o do Walmir Piacentini, ex-secretário de Mobilidade de Florianópolis que assinou o contrato com a empresa, na gestão do então prefeito Cesar Souza Júnior.

Quando interrogado pelo vereador Vanderlei Farias (PDT) sobre a cronologia dos fatos quando foi implantado o sistema. E ainda sobre o atual momento onde a empresa alegou não haver condições de pagamento e que solicitava o equilíbrio econômico financeiro, Piacentini foi enfático em dizer que era mentira. “Não estamos lidando com empresa, isso é muito mais que empresa. Vocês dão uma olhada se não é caso de colocar a polícia civil no caso. Porque a prefeitura deixou de faturar 800 milhões em multa, porque não tinha gente para multar. Não inviabiliza de pagar 19 milhões. São duas coisas diferentes,” enfatizou.

Ele revelou que todo o processo de licitação foi realizado pela secretaria de Administração e que inclusive na época houve problema com a empresa no primeiro lance. “A Comissão de Licitação é soberana, no primeiro lance da Dom Parking eles desclassificaram por problemas em Joinville e eles tiveram 5 dias para recurso. Eles recorreram e nenhuma das outras empresas concorrentes reclamou. Depois eu fiquei surpreso quando vi que eles ganharam a licitação botando R$ 80,00 o valor por vaga para a prefeitura. Sendo que no edital era R$ 34 reais o mínimo, e a gente esperava R$ 45 ou R$50 reais no máximo. O meu comentário na época foi que isso não vai dar certo.”

Questionado pelo relator da CPI, o vereador Gabriel Meurer (PSB), sobre a fiscalização no contrato, ele respondeu que o secretário não tem como fiscalizar um contrato e quem acompanhou toda a implantação foi o diretor de planejamento e ainda que não sabia que os pagamentos não estavam sendo feitos. “Nós nunca soubemos ou recebemos de nenhum orgão, nem da secretária de administração e nem finanças que não teria sido pago aquele mês, afirmou Piacentini.

Também participaram dos depoimentos da CPI nesta terça-feira o servidor Paulo Sérgio Faustino que disse não ter função à época e acrescentou: “Sempre o secretário é o responsável pelo contrato quando não há um fiscal nomeado”. Em seguida, depôs o ex-secretário adjunto Adriano José Mafra. Ele negou qualquer envolvimento no contrato ”No início ajudei a planejar a secretaria de mobilidade, mas nunca tive nada a ver com esse contrato (da Zona Azul)”, disse o ex-adjunto.

A próxima reunião da CPI da Zona Azul será realizada na segunda-feira, dia 4 de novembro, e a previsão é que sejam convocados ex-funcionários da empresa Dom Parking. O início dos trabalhos está marcado para às 9h da manhã.